O meu cão começou de repente a ladrar à minha esposa grávida… Depois correu para o armário e, em pânico, começou a atirar roupas para fora. Ficámos em choque — ele nunca tinha agido assim. Só mais tarde descobrimos o motivo… e percebemos que não era loucura, mas uma tentativa de nos salvar.

HISTÓRIAS DA VIDA

Eu estava à porta do quarto do bebé, sem conseguir respirar direito. Tudo dentro de mim se apertava, como um nó bem puxado. O quarto que, no dia anterior, parecia o lugar mais quente da casa, agora parecia o cenário de uma pequena tragédia: roupa de bebé espalhada, uma manta rasgada, o armário aberto.

A Sarah estava de lado, com a mão na barriga. O rosto dela estava pálido, o olhar cheio de medo. Ela não chorava, mas o choque estava estampado nos olhos.

E no meio do quarto estava o Rex.

O meu cão. O meu amigo. Mas agora estava diferente: o pelo eriçado, a respiração pesada, um pedaço de roupa de bebé preso entre os dentes. Ele não latia. Só ficava ali… a olhar para mim.

— Parecia que ele tinha perdido o controlo, disse a Sarah baixinho. — Começou a rosnar… não para mim, mas para o armário. Depois saltou lá para dentro e destruiu tudo.

Já não a estava a ouvir.

O medo pela Sarah e pelo bebé tomou conta de mim. Sem pensar, agarrei o Rex pela coleira e arrastei-o para fora. Ele não resistiu. E isso foi o mais estranho. Só me olhava, como se tentasse explicar alguma coisa.

Mas eu não quis perceber.

Empurrei-o para a rua, para a chuva, e fechei a porta com força.

— Ele está com frio… — sussurrou a Sarah.

— Ele é perigoso, respondi. — Era perigoso para ti.

Tirei os pratos dele e decidi que isso era o certo.

Nessa noite, ele arranhou a porta, mas depois calou-se. De manhã, estava apenas sentado no jardim, encharcado, imóvel… e a olhar para a janela do quarto do bebé.

Foi então que me lembrei do comportamento dele. Ele não estava a atacar. Estava a tentar chegar ao armário.

No terceiro dia, já não aguentei.

Abri o armário e comecei a mexer na roupa. Até reparar num buraco na parede de trás.

Afastei a tábua — e congelei.

Uma cobra.

Enroscada no vazio. E ao lado… um ninho com ovos.

O Rex tinha sentido aquilo desde o início. Ele não era agressivo. Estava a proteger-nos.

E eu expulsei-o por isso.

Corri para fora.

O Rex ainda estava lá.

— Desculpa… — sussurrei.

Ele aproximou-se e encostou-se simplesmente a mim, como sempre.

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