Durante o casamento, o cavalo da noiva irrompeu subitamente na igreja e posicionou-se mesmo em frente à jovem, impedindo-a de se aproximar do altar; o animal comportou-se de forma tão descontrolada que os convidados exigiram que fosse retirado imediatamente, sem saberem do que o cavalo estava, na realidade, a tentar alertá-los.

POSITIVO

Durante o casamento, o cavalo da noiva irrompeu subitamente na igreja e posicionou-se mesmo em frente à jovem, impedindo-a de se aproximar do altar. O animal comportou-se de forma tão selvagem que os convidados exigiram que fosse retirado imediatamente, sem saberem o que o cavalo estava, na verdade, a tentar alertá-los.

A manhã de Sofia começara exatamente como imaginara durante muitos anos. Dentro de poucas horas, casaria com Daniel, com quem namorava há quase quatro anos.

Para o casamento, escolheram uma pequena e antiga igreja nos arredores da cidade. Ficava no cimo de uma colina e estava rodeada por uma floresta. O edifício fora construído há mais de cem anos, mas, por dentro, tudo era magnífico: tetos altos, bancos de madeira antigos, janelas enormes e flores brancas a adornar o corredor.

Sofia queria chegar à igreja de uma forma invulgar: montada na sua égua, Luna.

A jovem tinha recebido a égua cinzenta quando era adolescente. Ao longo dos anos, Sofia habituou-se tanto a ela que conseguia compreender o humor do animal com o mais pequeno movimento das suas orelhas.

A Luna sempre fora calma. Mesmo os ruídos altos raramente a assustavam.

Por isso, ninguém esperava o que aconteceu no dia do casamento.

Sofia chegou à igreja montada em Luna, desmontou perto da entrada e entregou as rédeas a um tratador, que a conduziria de volta.

“Vejo-te à noite”, sorriu a jovem, acariciando o focinho da égua.

Alguns minutos depois, a cerimónia começou.

Daniel já o esperava perto do altar. A música começou, as portas abriram-se e Sofia caminhou lentamente pelo corredor. Mas ela mal tinha dado alguns passos quando se ouviu um relincho alto do lado de fora.

Sofia reconheceu Luna de imediato. Os convidados voltaram-se para as portas.

No segundo seguinte, as portas abriram-se de repente e o cavalo galopou para dentro da igreja.

As pessoas levantaram-se de um salto, assustadas.

“Tirem-na daqui!” gritou alguém.

O tratador correu atrás dela, tentando agarrar as rédeas, mas Luna não o deixou aproximar-se.

Ela parou mesmo à frente de Sofia.

O cavalo respirava com dificuldade, batendo nervosamente com o casco no chão e abanando incessantemente a cabeça.

“Luna, acalma-te”, disse Sofia, estendendo a mão cautelosamente.

Normalmente, a sua voz bastava.

Mas naquele momento, o animal parecia não reconhecer a sua dona.

Quando Sofia tentou contorná-la, Luna afastou-se subitamente e voltou a bloquear o seu caminho.

“O que é que ela tem de errado?” perguntou Daniel, perplexo.

Ninguém sabia.

O tratador aproximou-se para ajudar a conduzir o animal para o exterior, mas o cavalo empinou de repente.

Um grito ecoou pela igreja.

Sofia deu um passo atrás. Vários homens já se preparavam para cercar Luna e arrastá-la para fora, mas a jovem deteve-os.

“Não lhe toquem. Ela nunca se comportou assim antes.”

A Sofia aproximou-se novamente do cavalo.

“O que se passa, minha querida?”

E foi precisamente nesse momento que algo aconteceu, deixando todos na igreja completamente atónitos.

A Luna aterrou de pé, mas não se acalmou. Cutucou o ombro de Sofia com a cabeça, obrigando-a a dar um passo atrás. A jovem recuou. O cavalo voltou a cutucá-la. E foi então que Sofia se apercebeu de algo estranho.

A Luna mal olhava para as pessoas. Ela olhava constantemente para algo no alto.

Mesmo por cima do altar, pendia um enorme e antigo lustre.

“Daniel…” sussurrou Sofia.

O noivo olhou na mesma direção.

A princípio, não reparou em nada.

Mas depois, o lustre mal se mexeu.

Mesmo com as janelas fechadas e sem vento na igreja.

Nesse momento, Luna voltou a relinchar alto e começou a recuar, praticamente obrigando Sofia a afastar-se com ela.

De repente, um guincho metálico ecoou por cima delas. Todos ficaram em silêncio. Um dos convidados olhou para cima.

“Saiam de perto do altar!”

Daniel correu para junto de Sofia, agarrou-lhe a mão e recuaram juntos. Um segundo depois, ouviu-se um estrondo terrível. Mas não era o lustre que tinha caído.

Um enorme pedaço de uma velha viga de madeira desprendeu-se do teto mesmo ao lado e caiu exatamente onde os recém-casados ​​deveriam estar.

Os convidados gritaram e correram em direção à saída.

Parecia que o pior já tinha acontecido. Mesmo assim, a Luna não se acalmava.

Virou-se e começou a empurrar Sofia em direção às portas.

“Ela quer sair!” gritou o Daniel. “Todos para fora!”

As pessoas saíram da igreja uma a uma.

A Sofia, o Daniel e o padre foram os últimos a sair. Menos de um minuto depois, outro estrondo ecoou do interior.

Parte do teto por cima do altar desabou completamente. Os especialistas que chegaram mais tarde descobriram algo que ninguém tinha imaginado.

Durante a noite, após fortes chuvas, a água infiltrou-se sob o telhado e enfraqueceu as antigas vigas de madeira. A enorme estrutura estava literalmente suportada apenas por algumas vigas danificadas.

Mas o que mais surpreendeu toda a gente foi outra coisa. O tratador relatou o que tinha acontecido antes de Luna entrar a correr.

Quando a conduzia para longe da igreja, a égua parou de repente. Depois começou a agitar-se e olhou para o teto várias vezes. O homem tentou guiá-la mais para a frente, mas, nesse momento, pequenos pedaços de gesso caíram do teto.

Luna arrancou-lhe as rédeas das mãos e correu de volta para a sua dona.

Ela tinha pressentido o perigo antes dos humanos.

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