Meus colegas riram quando eu cheguei ao baile com a minha avó… mas, depois das minhas palavras, o salão inteiro ficou em silêncio 😲😢
Eu tinha dezoito anos e fui ao baile com a única pessoa próxima que me restava — a minha avó Marta.
A minha mãe morreu quando eu nasci. Nunca conheci o meu pai. A minha avó criou-me sozinha. Quando eu vim ao mundo, ela já tinha mais de cinquenta anos, mas nunca reclamou. Trabalhou, cozinhou, lia-me livros antes de dormir e ia a todas as apresentações da escola.
Para podermos viver, ela trabalhava como empregada de limpeza na mesma escola onde eu estudava. Foi justamente por isso que muitas vezes se riam de mim.
Nos corredores sussurravam que eu também acabaria com uma esfregona na mão. Alguém dizia que eu cheirava a produto de limpeza. Eu ouvia tudo, mas nunca contei nada à minha avó. Não queria magoá-la. Ela trabalhava honestamente por mim, e eu tinha vergonha não dela, mas daqueles que se riam dela.
Quando chegou o baile, toda a gente falava de quem convidaria para a primeira dança. Eu já sabia há muito tempo a minha escolha.

Pedi à minha avó que fosse comigo. Primeiro, ela pensou que eu estava a brincar. Depois recusou durante muito tempo, dizendo que não era lugar para ela. Mas acabou por ir.
Ela vestia um vestido antigo com flores. Antes de sair, pedia desculpa por não ter nada mais bonito. Mas para mim, ela era a mais bonita de todas.
Quando a música começou, fui até ela e estendi a mão.
— Vamos dançar?
Ela ficou envergonhada, mas sorriu e aceitou.
E nesse momento, a sala encheu-se de risos.
— Não encontraste uma rapariga da tua idade? — gritou alguém.
— Trouxe a empregada de limpeza ao baile! — acrescentou outro.
Senti a mão da minha avó tremer. Ela disse baixinho:

— Talvez seja melhor eu ir… Não quero estragar-te a noite.
Então larguei a mão dela, pedi para pararem a música e peguei no microfone.
O salão ficou em silêncio.
— Estão a rir-se de uma mulher que durante vinte anos lavou os corredores desta escola, disse eu. — Mas foi graças a ela que tive comida, roupa, livros e a oportunidade de estar aqui hoje.
Olhei para a minha avó.
— Ela voltava para casa com dores nas costas, mas ainda assim lia-me antes de eu dormir. Privava-se de tudo para que eu pudesse estudar. Graças a ela, terminei a escola e consegui uma bolsa para a universidade.
Fiz uma pausa.
— Se na vossa vida existe uma pessoa que vos ama nem que seja metade do que ela me ama, já são mais felizes do que muitos.

Durante alguns segundos, ninguém se mexeu.
Depois, foi a professora a começar a aplaudir. Outros seguiram-na. E, um instante depois, toda a sala estava a aplaudir.
A minha avó estava à minha frente e chorava.
Mas, pela primeira vez, não eram lágrimas de dor.
Eram lágrimas de orgulho.







