No autocarro, um homem insultava verbalmente a sua mulher grávida e, a dado momento, chegou mesmo a levantar o punho como se a quisesse agredir. As pessoas em redor viram tudo, mas permaneceram em silêncio. Alguns segundos depois, algo aconteceu que chocou todos os passageiros.
Assim que o jovem casal entrou no autocarro, a tensão era palpável. A mulher segurava o corrimão com uma das mãos e apoiava a barriga com a outra. Os seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, os seus movimentos instáveis, como se mal se conseguisse manter de pé. O homem seguia-a de perto, sem lhe dar espaço, e a sua voz já estava carregada de raiva.

“Pare, não acabei”, disse ele bruscamente, agarrando-a pelo braço. “Como é que podes simplesmente ir embora assim, enquanto eu estou a falar contigo?”
“Pára, Mark”, respondeu ela com uma voz calma, mas firme. “Já disse tudo. Estamos a divorciar-nos. Não posso continuar assim… Tenho medo pelo meu filho.”
Ele sorriu, mas não era um sorriso simpático.
“Eu não te dei permissão para te divorciares. Quem precisa de ti neste estado? Achas que alguém te vai querer? Tu pertences apenas a mim, percebes?”
A mulher abanou a cabeça, mal conseguindo conter as lágrimas.
“Não. Não vou viver com um homem que levanta a mão a uma mulher.”
Após estas palavras, o homem perdeu visivelmente o controlo. A sua voz ficou mais alta e áspera; não prestou atenção às pessoas que o rodeavam, nem à sua mulher, que tremia e mal conseguia manter-se de pé. Ele proferia insultos e obscenidades, cada um mais frequente que o anterior, enquanto ela simplesmente baixava os olhos para não o provocar ainda mais.
Os passageiros trocaram olhares: uns fingiam olhar para os telemóveis, outros observavam furtivamente, mas ninguém interveio. Todos esperavam que a situação se acalmasse por si só.

De repente, o homem levantou o braço e cerrou o punho. O movimento foi rápido, quase descontrolado, e por um instante, pareceu que ele ia atingi-la.
Mas, naquele preciso momento, algo inesperado aconteceu. Todo o autocarro ficou atónito.
Um senhor, sentado ao lado da mulher e até então em silêncio, levantou-se bruscamente. O seu movimento foi preciso e deliberado.
Agarrou o braço do homem a meio do movimento e, sem lhe dar tempo para reagir, desferiu-lhe um golpe rápido e certeiro na nuca.
O homem perdeu o equilíbrio e caiu no chão entre os bancos. Um silêncio sepulcral pairava sobre o autocarro.
O velho olhou-o calmamente, mas o seu olhar era tão duro que ninguém se atreveu a mexer.
“Não se atreva a tocar numa mulher grávida”, disse ele suavemente, mas em voz suficientemente alta para que todos ouvissem. “Ela contou-lhe tudo claramente.” “Deixe-a em paz.”
O homem jazia no chão, agarrando a nuca e respirando com dificuldade. Já não gritava e nem sequer tentou levantar-se imediatamente, como se só agora se tivesse apercebido do que tinha feito.

Quando o autocarro parou na paragem seguinte, levantou-se bruscamente, evitando o olhar dos outros passageiros, e desceu em silêncio, como se temesse não só a polícia, mas também o olhar do velho.
A mulher ficou ali parada, a tremer, e depois sentou-se lentamente num lugar vazio. Olhou para o velho com gratidão; lágrimas ainda lhe brilhavam nos olhos, mas também com alívio.







