“Mãe, posso deixar de tomar os comprimidos que a tia me dá?” perguntou a menina enquanto eu preparava o jantar, concentrada em cozer a massa.
“Mãe, o meu coração está acelerado”, sussurrou ela, com a voz trémula. “Posso deixar de tomar as vitaminas especiais da tia Jéssica? Estão a deixar-me zonza.”
A pergunta fez-me estremecer. “Que vitaminas é que ela te deu, querido?”
Maya olhou para baixo, mexendo na base da t-shirt. Tentando não entrar em pânico, pedi-lhe que me trouxesse o frasco. Jéssica, a minha perfeita e rica cunhada, criticava frequentemente o peso de Maya. Mas dar-lhe comprimidos? Isso era demais.
“Vitaminas da beleza da Suíça, para eu ser modelo da marca dela.” “Mas sabem amargo, mãe. E depois não consigo dormir. Além disso, sinto-me muito cansada.”
Peguei no frasco dela: sem rótulo. No interior havia comprimidos brancos e azuis. Não eram vitaminas.
Corri para o hospital onde a minha melhor amiga estava a trabalhar no turno da noite. Enquanto verificava o pulso, Maya adormeceu instantaneamente.
“Lisa, faça um exame toxicológico imediatamente”, ordenei. Vinte minutos depois, a Lisa voltou, pálida, e disse algo que quase me fez desmaiar.
Lisa desabou na poltrona à minha frente, com o rosto pálido e contorcido de terror. Ela encarou-me, os olhos arregalados, antes de sussurrar:
“Nia… não fazes ideia do que tem estes comprimidos. Não são vitaminas. É um sedativo potente. Se a Maya tivesse tomado mais uma dose, já teria… ido embora.”
Um arrepio percorreu o meu corpo. As minhas mãos tremeram. O pânico apoderou-se de mim, mas tentei manter a calma.
“Porquê… porquê é que ela faria isso? Porquê a Jéssica…?” A minha voz embargou de emoção.
Lisa abanou a cabeça, visivelmente abalada. “Não sei, Nia. Mas vou ligar para as autoridades; isto não pode ficar sem resposta. Se estes comprimidos estiverem a circular, muitas crianças podem estar em perigo.”
Encarei Maya, adormecida no sofá, com o rosto sereno, mas o medo apoderou-se de mim. A Jessica, a minha irmã perfeita, tinha escondido esta loucura por detrás de sorrisos e promessas de beleza. Eu não podia acreditar que ela tivesse ousado fazer aquilo.
Algumas horas depois, os polícias estavam no hospital. A investigação estava a começar. Mas uma questão permanecia: quantas outras vítimas havia? E porque é que Jessica havia agido daquela forma?
A verdade viria ao de cima, mas a que custo? Os seus segredos, agora expostos, marcariam as nossas vidas para sempre.









