O xeique troçou da sua governanta e, de repente, disse:
“Se usares esse vestido na festa hoje à noite, casarei contigo.”
Mas o que aconteceu naquela noite surpreendeu toda a gente. No vasto salão de mármore do xeique Khaled, os preparativos para a receção decorriam a todo o vapor. Os funcionários estavam ocupados a arrumar as mesas, a decorar as colunas e a pendurar grinaldas de cristal.

Leila, uma mulher robusta e reservada na casa dos quarenta, seguia a sua rotina discretamente. Nunca ninguém lhe dava atenção.
Mas hoje, algo se destacava no centro da sala, atraindo a atenção de todos: um manequim vestido com um sumptuoso vestido vermelho. Era justo, realçando as suas curvas, e tinha uma cauda.
O xeique Khaled comprara-o para a sua nova amante. O vestido era tão caro que se podia comprar uma casa com aquele valor. Encomendara-o a um estilista de renome para impressionar os seus convidados naquela noite.
Leila passou por ele, transportando um tabuleiro de taças, e parou abruptamente. O vestido era como uma obra de arte: liso, lustroso, incrivelmente belo. Nem reparou na sua mão roçando o tecido.
Mas, nesse preciso momento, o xeique entrou na sala.
“O que estás a fazer?!” exclamou, com a voz alta e furiosa.
Leila estremeceu, o tabuleiro cambaleou e uma taça quase se derramou.
“Eu… com licença… eu só queria…”
“Só queria tocar no vestido que custa mais do que a sua vida inteira?” rosnou, aproximando-se. A sua namorada e outras duas mulheres atrás dele já tinham caído na gargalhada e tapavam a boca com as mãos.
“Eu não queria… ele é tão lindo…”
“Lindo?” ele bufou. “Está a sujá-lo com as mãos. Sabe sequer quanto custa cada prega deste tecido?”
Leila baixou os olhos.
Então, saboreando o escárnio, o xeique decidiu fazer um escândalo:
“Sabe uma coisa? Há duas opções. PRIMEIRA: Paga-me o preço do vestido. Imediatamente.”
As mulheres atrás dele desataram a rir. Para elas, tudo não passava de uma encenação.

“Ou a SEGUNDA opção…” Fez uma longa pausa para que todos o ouvissem.
“Vais usar este vestido na festa hoje à noite.”
As mulheres já se dobravam de tanto rir.
Acrescentou, ainda mais alto:
“E se se atrever a sair com este vestido… eu caso consigo! Amanhã!”
As gargalhadas intensificaram-se.
O rosto de Leila ficou tão vermelho que parecia que a sua pele ia pegar fogo. O vestido era, pelo menos, três tamanhos mais pequeno. Nem as suas mangas caberiam. Era uma humilhação cruel e descarada.
“Bem?” perguntou o xeique. “Ou se usa, ou se deve-me o resto da vida.”
A Leila murmurou:
“Eu… vou pensar no assunto…”
Mas ninguém a ouviu; todos já tinham saído da sala.
O que aconteceu naquela noite chocou toda a gente.
Depois da humilhação que sofreu no salão, a garganta de Leila esteve apertada durante todo o dia. Ela sabia: o vestido não só não lhe serviria, como ficaria demasiado pequeno.
Nessa noite, assim que o trabalho terminou, Leila dirigiu-se discretamente à costureira que fazia todos os trabalhos da casa. A mulher, de certa idade, aceitou ajudar a criada.
Os convidados reuniram-se no imenso salão. O xeique, de pé, no meio, tinha a certeza de que o espetáculo mais cómico da noite estava prestes a começar. Já conseguia imaginar Leila, ofegante, a tentar ridiculamente vestir o vestido no meio das gargalhadas de todos.

Ergueu o copo e anunciou em voz alta:
“Senhoras e senhores! A nossa Leila fará a sua entrada em breve… Espero que estejam prontos!”
Um murmúrio percorreu a multidão e, nesse preciso momento, as portas abriram-se lentamente.
O silêncio instalou-se. A Leila entrou.
Vestia o vestido vermelho, mas… o vestido tinha um recorte nas costas, do pescoço à base, habilmente disfarçado por fitas de seda.
De frente, uma silhueta perfeita, como que feita à medida.
De costas, uma construção sofisticada, digna da alta costura.
Não parecia um recorte, mas sim uma criação elegante e meticulosamente elaborada.
O xeique empalideceu. Esperava um espetáculo. Esperava um fiasco. Mas, em vez disso, assistiu a uma entrada que, ao lado de Leila, fez até a sua própria amante parecer pirosa.







