Um ex-prisioneiro resgatou uma menina que se estava a afogar no rio e trouxe-a para casa, mas nessa noite os vizinhos ouviram barulhos e gritos estranhos vindos da sua casa

HISTÓRIAS DA VIDA

Após dez anos de prisão, o homem estava finalmente em liberdade. Acusado de tirar a vida a um inocente, persistiu em afirmar a sua inocência. Proclamou a sua inocência, mas ninguém acreditou nele. Todas as provas estavam contra ele: as suas impressões digitais tinham sido encontradas no local.

Após a sua libertação, não regressou à sua cidade natal, pois a sua família há muito que o rejeitara. Comprou uma pequena casa à beira do rio, criou galinhas, plantou batatas e viveu tranquilamente. Os moradores evitavam-no e temiam-no. Alguns nem o cumprimentavam; outros atravessavam a rua ao vê-lo. Todos estavam convencidos de que ele era perigoso e poderia voltar a tirar a vida a alguém.

Um dia, enquanto trabalhava no seu jardim, ouviu de repente um grito estridente:

“Socorro!”

O homem correu em direção ao rio. Uma jovem debatia-se na água, tentando desesperadamente manter-se à tona. Sem hesitar, o ex-recluso saltou para a água, puxou-a para fora, deitou-a na relva e começou a fazer-lhe massagem cardíaca. A menina tossiu e finalmente abriu os olhos.

Levou-a para casa, tirou-lhe as roupas molhadas, cobriu-a com um cobertor e deu-lhe sopa quente. Ao cair da noite, a menina acalmou e adormeceu.

Mas durante a noite, os vizinhos ouviram barulhos e gritos estranhos vindos da sua casa. Uma mulher gritava, alguém pedia ajuda.

Os vizinhos levantaram-se, pegaram em lanternas, cordas e pás e dirigiram-se para a sua casa. Estavam convencidos de que o homem tinha tirado a vida a outra pessoa.

“Vês? Tínhamos razão em ter medo dele”, disse um dos homens.

Aproximaram-se cautelosamente da janela, espreitaram para dentro e o que viram chocou toda a gente.

A menina estava deitada no chão, rodeada por uma poça vermelha. O homem estava de pé, ao lado dela, segurando um pano. Pressionava o flanco dela, tentando estancar a hemorragia. Alguém gritou:

“Ele tirou-lhe a vida!”

— “Nós sabíamos! Uma vez que se mata alguém, nunca se muda!”

Atiraram o homem para o chão, amarraram-no e chamaram a polícia. Mas, após uma inspeção mais detalhada, um dos homens reparou que a menina ainda respirava com dificuldade.

Descobriu-se que tinha sofrido um ferimento grave ao cair ao rio. Durante a noite, a ferida reabriu enquanto ela dormia.

O ex-recluso gritou para chamarem uma ambulância, mas ninguém ouviu. Todos o julgaram pelo seu passado; ninguém acreditava que ele estava simplesmente a tentar ajudar.

Na manhã seguinte, todos estavam em silêncio em frente à sua casa, sem saber o que dizer.

Rate article