Dez anos depois de a mulher que eu amava desaparecer, ela apareceu à minha porta com um último pedido. Alguns dias depois, descobri por que ela realmente tinha ido embora

HISTÓRIAS DA VIDA

Dez anos depois de a mulher que eu amava desaparecer, ela apareceu à minha porta com um último pedido. Alguns dias depois, descobri por que ela realmente tinha ido embora

Há dez anos, Laura desapareceu da minha vida sem qualquer explicação.

Nós nos conhecemos na universidade e fomos inseparáveis durante vários anos. Eu tinha certeza de que um dia nos casaríamos.

Mas tudo mudou depois de uma discussão.

Eu tinha acabado de receber uma proposta para continuar os estudos e falava sobre carreira, viagens e sobre o fato de ainda não estar nem um pouco preparado para ter filhos.

De repente, Laura perguntou:

— E se a vida não quiser esperar?

Não entendi a pergunta dela. Discutimos e, na manhã seguinte, ela havia desaparecido.

O telefone estava desligado. As contas tinham sido apagadas. Nem mesmo nossos amigos sabiam para onde ela tinha ido.

Passei muito tempo tentando encontrá-la e depois me obriguei a seguir em frente. Mas nunca consegui esquecê-la.

Dez anos depois, em uma noite chuvosa, a campainha tocou.

Laura estava na porta.

Ela havia emagrecido muito e parecia extremamente fraca.

— Não me resta muito tempo — disse ela. — E quero te pedir uma coisa.

— O quê?

Ela olhou diretamente nos meus olhos.

— Case-se comigo.

Não pude acreditar no que estava ouvindo.

— Você desapareceu por dez anos e agora volta para me pedir em casamento?

— Passei tempo demais fugindo — sussurrou ela. — Não quero mais fazer isso.

Três dias depois, nos casamos.

Os dias seguintes foram estranhamente felizes. Assistíamos a filmes antigos, relembrávamos os tempos da universidade e conversávamos até tarde da noite.

Sempre que eu perguntava por que ela havia desaparecido, Laura respondia:

— Você vai descobrir em breve.

Na sexta noite, ela morreu.

Depois do funeral, uma mulher desconhecida se aproximou de mim e me entregou uma chave.

— Laura pediu que eu lhe entregasse isto.

Ela me levou ao apartamento onde Laura havia vivido nos últimos anos.

Dentro do armário havia um baú de madeira.

Lá dentro estavam dezenas de cartas.

Em cada uma delas estava escrito o meu nome.

A primeira havia sido escrita poucos dias depois da nossa separação.

Eu a abri e fiquei paralisado.

“Estou grávida.”

Laura descobriu que estava esperando um filho no dia da nossa última discussão.

Ao me ouvir falar sobre carreira e sobre não querer ser pai naquele momento, ela ficou com medo de destruir o meu futuro.

Ela pretendia voltar e me contar tudo.

Mas não teve tempo.

Laura perdeu o bebê.

Depois disso, convenceu a si mesma de que já era tarde demais para voltar.

Os anos foram passando.

Nas cartas, as mesmas promessas se repetiam:

“Vou ligar para ele amanhã.”

“Comprei uma passagem.”

“Fiquei diante da casa dele, mas não consegui bater à porta.”

Uma vez, Laura até me viu com outra mulher e decidiu que eu estava feliz.

Ela não sabia que aquele relacionamento terminou pouco depois porque eu ainda não conseguia esquecê-la.

A última carta era muito curta:

“Não voltei para que você me perdoasse. Voltei porque percebi que o medo já havia roubado dez anos de nós. Não vou permitir que ele leve também os nossos últimos dias.”

Fiquei sentado por muito tempo com a carta nas mãos.

Eu ainda a amava.

E, ao mesmo tempo, estava com raiva dela.

Porque, às vezes, o amor não termina por causa de uma traição.

Às vezes, basta uma pessoa passar tempo demais com medo de dizer a verdade.

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