Um homem me convidou para um jantar romântico, mas, em vez de comida, me mostrou uma montanha de louça suja: “Quero ver que tipo de dona de casa você é”. Cinco minutos depois, ele já estava arrependido de ter decidido me testar
David tinha sessenta anos, e eu, cinquenta e oito. Conversávamos havia quase dois meses quando, um dia, ele me convidou para ir à casa dele.
— Eu mesmo vou preparar o jantar. Em casa é mais tranquilo, e poderemos conversar à vontade, — disse ele.
Gostei da ideia.
Comprei uma caixa dos chocolates favoritos dele, coloquei um vestido bonito e fui até lá.
David me recebeu sorrindo, ajudou-me a tirar o casaco e me acompanhou até a sala.

— E onde está o jantar? — perguntei.
— Na cozinha. Vamos.
Entrei — e parei.
A pia estava lotada de pratos, panelas e frigideiras sujas. Sobre a mesa havia ingredientes crus espalhados.
David sorria satisfeito.
— Agora vamos ver como você é na vida familiar.
— O quê?
— Eu deixei tudo sem lavar de propósito. Quero saber se você sabe cuidar de um homem. Você prepara o jantar, lava a louça e, ao mesmo tempo, descobrimos se combinamos.

Ele até apontou para um avental.
— Borscht, almôndegas… os ingredientes estão todos aqui.
Durante alguns segundos, fiquei apenas olhando para ele.
Na minha vida, criei filhos, cuidei de uma casa durante anos e acompanhei um marido doente. Eu sabia perfeitamente cozinhar e limpar.
E justamente por isso eu não tinha a menor intenção de começar um novo relacionamento assumindo gratuitamente um segundo turno de trabalho.
— David, eu vim para um encontro, não para me candidatar à vaga de empregada doméstica.
Ele franziu a testa.
— E se um dia eu ficar doente? Você também vai dizer que isso não é seu trabalho?
— Cuidar de alguém que amamos e limpar a cozinha suja de um desconhecido no primeiro encontro são coisas um pouco diferentes.
A expressão dele mudou.

— É assim que as mulheres são hoje em dia. Só querem restaurantes.
Peguei tranquilamente a caixa de chocolates de volta.
— Esses chocolates também faziam parte do encontro. Então eles vão voltar para casa comigo.
— Você está mesmo indo embora?
— Sim. Você queria me testar. Mas acabou acontecendo o contrário.
Ele ficou confuso.
— O que você quer dizer?
Eu já estava junto à porta.
— Você queria descobrir se eu sou uma boa dona de casa. E eu descobri que tipo de homem você é.
David ficou vermelho de raiva.
— Com esse jeito, você vai acabar sozinha!
Antigamente, uma frase dessas talvez tivesse me magoado.
Mas eu apenas sorri.
— Melhor sozinha diante de uma mesa limpa do que acompanhada diante da sua pia suja.
E fui embora tranquilamente.
Eu tinha ido até lá para um jantar romântico.
Mas consegui algo muito mais útil — a resposta para a pergunta de por que, aos sessenta anos, David ainda procurava uma mulher disposta a passar pelo “teste” dele.







