O marido tirou o dinheiro destinado aos estudos da filha e viajou para Itália com a mãe. Quando regressou, deixou cair a mala junto à porta…
Quando Andrei abriu a porta, pensou que tinha entrado na casa errada.
Na sala estavam várias mesas com computadores portáteis, na parede havia um quadro com os prazos para a entrega das candidaturas e algumas alunas preenchiam pedidos de bolsas de estudo.
A sua filha Masha estava sentada a uma das mesas.
Viu o pai, mas não disse uma única palavra.
Duas semanas antes, Andrei tinha entrado na cozinha com uma mala e anunciado:
— Eu e a minha mãe vamos para Itália.

— Com que dinheiro? perguntei.
A minha sogra sorriu com desdém.
— O dinheiro estava ali parado há anos.
Andrei acrescentou calmamente:
— Retirei-o da conta da Masha.
Durante doze anos, tínhamos poupado dinheiro nessa conta para pagar os estudos da nossa filha. Eu depositava prémios, dinheiro recebido como presente e até quantias destinadas à compra de roupa nova.
Masha estava nas escadas e ouviu tudo.
— Pai, esse dinheiro é o meu futuro…
Ele nem sequer olhou para ela.
— Está na altura de aprenderes a desenrascar-te sozinha.
Depois de partirem, verifiquei o saldo.
Restavam quarenta e três dólares.
Masha disse em voz baixa:
— Posso adiar a universidade durante um ano.
Mas eu decidi fazer outra coisa.

Telefonei à orientadora escolar dela e, pouco tempo depois, a nossa casa transformou-se num centro gratuito de apoio para raparigas que sonhavam entrar na universidade.
Os vizinhos trouxeram computadores portáteis. Os professores ajudaram com as candidaturas. Os empresários locais começaram a recolher donativos.
Transformámos o quarto de hóspedes ocupado pela minha sogra numa sala de estudo.
Agora, ao regressar de Itália, ela estava à porta e perguntava indignada:
— Onde estão as minhas coisas?
— Na garagem, respondi. Este quarto finalmente serve para alguma coisa.
Andrei olhou à sua volta.

— Estas pessoas não têm o direito de estar na minha casa.
Nesse momento, Masha levantou-se.
— Tu levaste o meu futuro para fora desta casa. A mãe deixou entrar a esperança.
Por cima da cabeça dela estava pendida uma frase:
«Nenhum sonho ficará sem apoio.»
Andrei reparou numa caixa com pequenos donativos. Pessoas desconhecidas davam dez, vinte ou cinquenta dólares para ajudar a filha dele.
E ele tinha gasto as poupanças dela em hotéis, restaurantes e diversões.
— Vou devolver tudo, murmurou.
— Quando? perguntei.
Ele não respondeu.
O programa continuou a crescer. Várias raparigas receberam bolsas de estudo e Masha foi admitida na universidade.
Alguns meses depois, Andrei colocou silenciosamente um cheque na caixa dos donativos.
Ninguém o aplaudiu.
Finalmente compreendeu que o dinheiro roubado tinha desaparecido em duas semanas, mas a esperança que tínhamos criado podia mudar dezenas de vidas.







