Há uma semana, eu e o meu marido Donald voltámos de umas férias à beira-mar.
Nós dois já temos mais de sessenta anos, mas ali, na praia, voltámos a sentir-nos jovens. Caminhávamos descalços pela areia, comíamos marisco, ríamos e dávamos as mãos como nos primeiros anos do nosso casamento.
Um dia vesti um fato de banho branco. Senti-me um pouco envergonhada do meu corpo — afinal, a idade, as rugas, algumas dobras a mais. Mas Donald olhou para mim e disse:
— És linda.

Nesse momento, uma menina tirou-nos uma fotografia com o mar ao fundo. Na imagem, estávamos abraçados, felizes e verdadeiros.
Em casa, publiquei a fotografia no Facebook. As pessoas escreveram palavras carinhosas: «Que casal tão bonito!», «Amor verdadeiro!», «Vocês inspiram!»
Depois vi o comentário da minha nora Janice:
«Como é que ela consegue mostrar o corpo enrugado num fato de banho? E beijar o marido na idade dela é nojento. Ela é horrível, lol».
Um minuto depois, o comentário desapareceu.
Mas eu já tinha feito uma captura de ecrã.

Não lhe telefonei para gritar. Em vez disso, pedi a Donald que reunisse toda a família para jantar.
No sábado, vieram todos. Janice também — sorridente, como se nada tivesse acontecido.
Quando todos se sentaram à mesa, levantei-me e disse:
— Quero mostrar-vos uma fotografia especial das nossas férias.
Mostrei a fotografia da praia. Todos sorriram.
— Esta fotografia lembra-me que o amor não desaparece com a idade, disse eu. — O corpo muda, mas a ternura entre marido e mulher não se torna ridícula.
Depois abri a captura de ecrã do comentário de Janice e virei o ecrã para os convidados.
Fez-se silêncio à mesa.

Janice empalideceu.
— Não foi isso que eu quis dizer… sussurrou ela.
— Não, disse eu calmamente. — Foi exatamente isso que quiseste dizer. Só não pensaste que eu fosse ver.
Olhei-a diretamente nos olhos.
— Um dia também tu vais envelhecer. Vais ter rugas. O teu corpo vai mudar. E espero que ao teu lado esteja alguém que te ame tanto como Donald me ama. E também espero que ninguém te humilhe pela tua idade.
Depois levantei o copo.
— Ao amor. À vida. E à coragem de sermos nós mesmos em qualquer idade.
Donald foi o primeiro a levantar o copo. Depois, os outros também.
E Janice ficou sentada em silêncio, vermelha de vergonha.
Naquela noite percebi: não são as rugas que estragam uma mulher.
O que estraga uma mulher é apenas a crueldade.







