Três homens haviam saído da prisão há pouco tempo, mas não tinham intenção de mudar de vida. Continuaram fazendo aquilo pelo qual um dia foram condenados. Procuravam pessoas sozinhas, exploravam seus medos e tomavam suas casas e bens. Agiam com brutalidade, rapidez e sem o menor remorso.
Há muito tempo já haviam notado a casa do velho na esquina. Um terreno grande, uma casa antiga, mas sólida, e, nas redondezas, nem vizinhos nem parentes. Eles haviam investigado tudo com antecedência. O velho não tinha família, e com a filha não falava havia muito tempo: ela morava em outra cidade e nunca o visitava.
Uma presa fácil, pensaram.
Naquela noite, eles se aproximaram do portão e bateram à porta.
Atendeu-lhes um homem idoso, vestido de preto e com uma jaqueta de couro surrada. Seu rosto era calmo, e o olhar, atento.
— Vocês não estavam nos esperando, mas nós viemos, disse um dos bandidos com um sorriso de deboche.
O velho observou lentamente suas tatuagens, os ombros tensos e os rostos insolentes.

— O que vocês querem? — perguntou com calma.
— Sua casa. E nos separaremos em paz.
— Não. Mais alguma pergunta?
— Ei, velho, você não entendeu? — disse um deles, irritado. — Falamos claramente: você nos dá a casa e nós vamos embora. Caso contrário, teremos de usar a força.
— Concordo, velho. Você nem vai viver por muito mais tempo, acrescentou outro.
O velho estreitou os olhos.
— Vocês são burros ou surdos?
— O que foi que você disse? — explodiu um dos bandidos, agarrando-o bruscamente pela gola da jaqueta.
O velho nem se mexeu. Seu rosto continuou calmo.
— Desculpem, rapazes, não entendi de imediato quem vocês eram. Entrem. Vou servir chá para vocês. Eu mesmo vou procurar os documentos da casa.
Os homens trocaram olhares. Em seus olhos brilhou satisfação. Eles decidiram que o velho havia cedido.
Entraram. Mas os bandidos não tinham a menor ideia do que os esperava naquela casa nem de como terminaria aquela visita.
Os três homens entraram na casa — já não tão ousados, mas ainda tentando parecer confiantes. Olharam ao redor, trocaram olhares e tentaram manter sua postura desafiante. Parecia-lhes que o velho estava apenas ganhando tempo.
O homem idoso fechou a porta calmamente por dentro e girou a chave. A fechadura fez um clique. No silêncio, aquele som pareceu alto demais.
— Entrem — disse ele, apontando para o sofá. — Sentem-se.
Eles trocaram olhares, mas acabaram se sentando. Um se acomodou como se aquele lugar fosse dele, o segundo sentou-se mais perto da saída, e o terceiro não tirava os olhos do velho.
O velho aproximou-se lentamente da porta, conferiu a fechadura novamente e se virou para eles.
— Muito bem… agora vamos falar como pessoas.

Sentou-se diante deles. As costas retas, o olhar pesado.
— Vamos nos apresentar de novo. É claro que vocês não me conhecem. Sou velho demais para aparecer por aí. Mas os seus pais certamente se lembram de mim.
O silêncio tomou conta do cômodo.
— Fui, um dia, o chefe de uma organização criminosa. Dominava todo o bairro. Cumpri várias penas. E não por pequenos crimes. Por coisas sérias.
Um dos rapazes tentou sorrir.
— Vovô, você está tentando nos assustar com histórias?
O velho nem sequer elevou a voz.
— Escute com atenção. Vocês vieram até mim com ameaças. À minha casa. Sem pedir. Sem entender onde estavam se metendo. Esse é o primeiro erro de vocês.
Ele se inclinou um pouco para frente.
— O segundo é pensar que eu sou fraco. Que ser velho significa ser indefeso.
Ele apontou lentamente para a porta fechada do cômodo ao lado.
— Na próxima sala, tenho armas em quantidade que vocês nem imaginam. E, se eu quiser, vocês não saem daqui. De forma alguma.
Agora eles já não riam.

— Vou fazer vocês se arrependerem de terem nascido.
O velho falava com calma. E foi justamente por isso que suas palavras soavam ainda mais assustadoras.
— Vocês têm uma chance. Levantem-se, peçam desculpas e vão embora. E esqueçam o caminho até esta casa.
O silêncio se prolongou. Um dos bandidos engoliu em seco.
— Você está falando sério?.. — conseguiu dizer.
O velho o encarou com serenidade.
— Verifiquem.
Os rapazes trocaram olhares. Não havia mais ousadia em seus olhos. Apenas dúvida e apreensão. Entenderam uma coisa: se ele não estava mentindo, era perigoso mexer com um homem daqueles. E, se estivesse mentindo… eles também não queriam saber.
Aquele que antes o havia agarrado pela gola foi o primeiro a se levantar.
— Vamos embora — disse baixinho aos outros.
Dirigiram-se à porta.
O velho a abriu e deu um passo para o lado.
— Decisão certa.
Os três homens saíram sem olhar para trás. O portão bateu com estrondo. Os passos se afastaram rapidamente pela rua.







