Numa tentativa de troçar de um sem-abrigo, um milionário ofereceu-lhe um cavalo inútil e doente — mas pouco depois arrependeu-se amargamente da sua “brincadeira”.

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No leilão anual de cavalos, a multidão fervilhava de entusiasmo, comentando os puro-sangues que brilhavam como estátuas polidas. Mas, no final da lista, estava esta égua — magra, coxa, mal se conseguindo manter de pé. Ninguém se dava sequer ao trabalho de olhá-la.

Arthur, um homem sem-abrigo com uma longa barba grisalha, viera simplesmente para se abrigar da chuva. Permanecia em silêncio encostado a uma parede, tentando não chamar a atenção, enquanto os cavalheiros ricos riam e discutiam os seus lances.

Arcádia — um jovem milionário conhecido pelas suas piadas cruéis — reparou em Artur. E quando o leiloeiro anunciou cautelosamente o preço da velha égua, Arcádia levantou a mão.

“Eu compro-a!”, declarou em voz alta, e acrescentou, virando-se para a multidão: “Dê-la-ei ao nosso… conhecedor de coisas finas! Que tenha o seu próprio cavalo de corrida!”

A multidão gargalhou. Os homens batiam nas grades, apontavam para Artur e filmavam a cena com os telemóveis.

Artur limitou-se a acenar com a cabeça, pegou nas rédeas com calma e conduziu o cavalo para longe. As zombarias não o afetaram — viu no animal o que os outros não conseguiam ver.

Deu-lhe o nome de Tocha. E pouco depois, aconteceu algo que fez com que o rico e caprichoso Arcadi se arrependesse profundamente de ter desejado troçar de um mendigo e de uma pobre égua.

Todos os dias, Arthur cuidava da égua — escovando-a, tratando-lhe as feridas, trazendo-lhe pão e legumes e recolhendo restos de comida do mercado. Torche começou a recuperar forças. O seu pelo ficou mais escuro e brilhante, o seu andar mais seguro. Arthur conversava com ela, partilhava as suas memórias — ela tornou-se a sua única amiga.

Quando Torche estava suficientemente forte, Arthur começou a treiná-la nos terrenos baldios. Primeiro num trote ligeiro, depois em longas corridas pelas colinas. Torche parecia renascida — a cada movimento, um novo poder, há muito adormecido, despertava.

E um dia, Artur tomou uma decisão.

Inscreveu-a em uma corrida amadora na cidade. A notícia espalhou-se imediatamente — e ele foi ainda mais ridicularizado.

No dia da corrida, Arcadi e os seus amigos estavam perto dos estábulos, aplaudindo sarcasticamente:

“Então, Artur? A tua supercampeã está pronta?” Esperemos que ela pelo menos sobreviva à partida!

Mas quando a corrida começou — as gargalhadas cessaram.

Torche disparou. Ela ultrapassou um cavalo após outro, até que a multidão — a mesma que os tinha ridicularizado — começou a suspirar de admiração.

Na última volta, Torche, irradiando força e graciosidade, deixou para trás o favorito da competição — o puro-sangue de Arcadi.

E quando Arthur cruzou a linha de meta em primeiro lugar, todo o estádio se levantou. As pessoas aplaudiam, muitas com lágrimas nos olhos.

Arcadi, porém, permaneceu paralisado, pálido como um fantasma, incapaz de acreditar que a sua cruel brincadeira se tinha voltado contra ele e lhe tinha causado a maior humilhação.

Graças à sua vitória, Arthur recebeu uma recompensa — o suficiente para habitação, cuidados e uma vida tranquila. Mas, mais importante, tinha encontrado um amigo que o apoiara quando mais ninguém o fizera.

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