O cão avançou subitamente sobre a menina e agarrou-lhe as roupas com os dentes: o pai já estava pronto para castigar o animal, até compreender porque é que ele tinha realmente agido daquela maneira.

POSITIVO

O aquário era o local preferido da menina. Todos os dias, ela aproximava-se, encostava as mãozinhas ao vidro, observava os peixes coloridos e podia ficar ali dez minutos sem se mexer. O cão estava sempre ao seu lado — calmo, gentil, quase como uma sombra a proteger a sua jovem dona.

Mas, naquele dia, tudo foi diferente. Assim que a menina se aproximou do aquário, o labrador enrijeceu subitamente, levantou a cabeça e ladrou agudamente. Foi como se tivesse atacado sem pensar: num segundo, saltou sobre ela, agarrou-lhe o fato de mergulho com os dentes e derrubou-a no chão.

A menina não percebeu o que estava a acontecer. Ela gritou, caiu e começou a chorar mais alto do que nunca. O cão também ladrava, alto, enquanto pairava sobre ela.

Alertados pelo barulho, os pais correram para lá. Viram a filha no chão, o cão em cima dela, e tudo lhes ficou claro num instante: o cão tinha atacado a criança. O pai empurrou-o violentamente, gritou com ele e levantou a mão para lhe bater.

Mas, de repente, apercebeu-se do que o cão tinha estado a encarar com tanta atenção o tempo todo. E finalmente compreendeu o motivo do seu estranho comportamento.

Logo abaixo do aquário, perto dos cabos, uma pequena faísca tremeluzia. O cabo ao qual o filtro estava ligado começava a derreter — acabara de ocorrer um curto-circuito. Mais um instante e a menina terá tocado no fio descarnado. O cão fora mais rápido.

O pai gelou, baixou a mão lentamente e murmurou apenas: “Meu Deus…”

Depois de desligar o aquário e de se certificar de que o perigo tinha passado, o labrador continuava sentado ao lado da menina, ofegante, recusando-se a sair dali — mesmo depois de ter sido repreendido injustamente.

Os pais pediram desculpa ao cão, mas a menina permaneceu aterrorizada durante meses. Sempre que o labrador se aproximava, ela recuava e escondia-se atrás da mãe.

E o cão simplesmente deitava-se no chão, esperava em silêncio e olhava-a com o mesmo olhar com que um dia lhe salvara a vida.

Só com o tempo é que a menina lhe permitiu voltar a aproximar-se — e, pela primeira vez desde o incidente, tocou-lhe timidamente na orelha. E o labrador apenas pestanejou, como que dizendo: “Nunca desapareci”.

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