A minha vizinha estava a pendurar as cuecas mesmo em frente à janela do meu filho, então dei-lhe uma boa bronca.
Recentemente, uma nova vizinha mudou-se para a casa ao lado. Certa manhã, enquanto olhava pela janela do quarto do meu filho, quase me engasguei com o café.
Ela tinha estendido o estendal mesmo em frente à janela do meu filho de oito anos. O problema era que não eram as roupas, mas sim as cuecas, que eram bastante… chamativas.
De salientar que as casas na nossa vizinhança são muito próximas umas das outras. Da nossa janela, conseguimos ver claramente o quintal da vizinha.
No início, não liguei muito, mas com o passar do tempo, tornou-se um hábito, e até o meu filho começou a reparar. Um dia, perguntou-me: “Mãe, porque é que as cuecas da nossa vizinha são tão pequenas?” “São para atirar pedra?”
Naquele momento, soube que era altura de tomar uma atitude. Assim, fui falar com a minha vizinha. Ao início, foi muito simpática, mas assim que toquei no assunto e lhe pedi educadamente que secasse a roupa interior dentro de casa, respondeu: “Em minha casa, faço o que quero!”.
Cedo percebi que este tipo de conversa não levaria a lado nenhum. Assim, decidi que a melhor solução seria dar-lhe uma lição.
Tive uma ideia algo louca. Peguei na máquina de costura para criar cuecas gigantes, decoradas com flamingos cor-de-rosa, e exibi-as em frente à janela dela. Fiz isso enquanto ela não estava lá.
O espetáculo era tão extravagante que se tornou impossível ignorá-lo, mesmo à distância.
A rua inteira devia estar a perguntar-se o que estava a acontecer. Quando a minha vizinha chegou a casa, ficou paralisada perante a cena surreal. Os seus olhos permaneceram fixos na enorme peça de roupa interior ali pendurada, como se quisesse ter a certeza de que não era fruto da sua imaginação.
Após um momento de silêncio atónito, irrompeu uma gargalhada. Abanando a cabeça, começou finalmente a arrumar a roupa, com o riso a ecoar pelo quarto.
A partir desse dia, nunca mais estendeu a roupa no estendal.










