Esta manhã, aconteceu algo no nosso jardim que, à primeira vista, pareceu muito perigoso. Eu e a minha família reparámos numa estranha cavidade no chão perto dos canteiros de flores.
Era bastante larga, com arestas irregulares, e a terra em redor parecia remexida, como se alguém ou alguma coisa tivesse escavado ali recentemente. O nosso primeiro pensamento foi que se tratava de uma toca de cobra.
Desconfiamos de imediato: as cobras são raras na nossa região, mas existem. A entrada parecia suspeita: uma entrada escura que descia profundamente no chão e, em redor, rastos que faziam lembrar linhas sinuosas.
Pouco depois, descobri o que era realmente e fiquei devastada.
As crianças, aterrorizadas, recusavam-se a sair dali, enquanto eu e o meu marido ponderávamos o que fazer. Pensamentos sobre víboras venenosas, ou até mesmo um ninho inteiro de cobras escondido debaixo da terra, passaram-nos pela cabeça.
Ao examinar as bordas do buraco, reparei em estranhos montes na terra húmida, como se o solo tivesse sido empurrado de dentro para fora.
Ocorreu-me uma dúvida: parecia muito estranho para serem pegadas de cobra. Fizemos algumas pesquisas e descobrimos algo completamente inesperado: na verdade, era a toca de um lagostim de rio, que vive no riacho ali perto.
Acontece que estas tocas aparecem onde o solo é húmido e perto da água. Os lagostins escavam túneis onde se escondem durante o dia e saem à noite para procurar alimento.
Empurram a terra para fora, formando pequenos montes característicos em redor da entrada.
Aliviados, respirámos fundo: não havia perigo para nós. Pelo contrário, a presença de um lagostim é sinal de água limpa e de um ecossistema saudável.
Em vez de medo, sentimos espanto e até alegria ao pensar que um vizinho tão invulgar se tinha instalado no nosso jardim.










