Encontrei-o debaixo do meu colchão — a princípio pensei que fossem ovos de insetos, mas a realidade surpreendeu-me verdadeiramente.
Nesse dia, decidi virar o colchão, só para o arejar e limpar a cama. Tudo estava a correr normalmente, até que reparei numa estranha pilha de sementes pretas num canto.
Eram opacas, com um ligeiro brilho, como pedacinhos de carvão.
Fiquei paralisada. A princípio pensei que fossem ovos de insetos — talvez baratas ou outra criatura qualquer. O meu coração começou a bater mais depressa e senti um arrepio na espinha.
Peguei em algumas sementes num pedaço de papel e comecei a examiná-las.
Estavam demasiado duras e secas para serem alguma coisa viva. Mas depois — como foram parar debaixo do meu colchão?
Sinceramente, fiquei chocada quando percebi o que eram.
Para me acalmar, tirei uma fotografia à minha descoberta e enviei-a para uma amiga apaixonada por plantas medicinais e medicina oriental. A resposta dela veio quase de imediato:
“Mas estas são sementes de kalindji! Sementes de cominho preto! Alguém as colocou ali de propósito.”
Eu não conseguia acreditar. Mas, depois de pesquisar online, percebi que ela tinha razão. Estas sementes são consideradas um talismã contra o mal e as doenças há séculos. Eram colocadas debaixo de colchões, nas soleiras das portas ou até mesmo costuradas em almofadas para que “a casa ficasse livre de ciúmes e pesadelos”.
No início, fiquei assustado — e se alguém o tivesse feito em segredo, sem o meu conhecimento? Mas depois lembrei-me: há um mês, a minha avó veio visitar-me. Ela sempre acreditou nas tradições antigas e costumava sussurrar que “na casa dos jovens, ele deve sentir bondade, e não medo”.
Nessa noite, liguei-lhe.
“Avó, colocou alguma coisa debaixo do meu colchão?”
Ela riu baixinho.
“E só agora reparaste? São sementes de kalindji. Que te protejam. Vejo que não tens dormido bem ultimamente.”










