Todas as manhãs o meu filho tinha pavor do autocarro: o que lá vivenciou chocou-me

HISTÓRIAS DA VIDA

O meu garotinho adorava o autocarro. Todas as manhãs, corria até à paragem, com a mochila a abanar, os sapatos desamarrados, como se o autocarro fosse um foguete prestes a levantar voo.

Mas, ultimamente, algo tinha mudado. Ele tinha-se calado. Os seus desenhos coloridos estavam agora cinzentos e tristes. Todas as manhãs, segurava-me um pouco mais a mão, como se se estivesse a proteger.

Não sabia porquê, até àquele dia. No passeio, observava-o entrar no autocarro, tentando parecer corajoso, mas evitando o olhar das crianças que o provocavam há semanas: demasiado pequeno, demasiado quieto, demasiado diferente.

Todas as noites, chegava a casa com os ombros curvados e o olhar baixo. Ouvia excertos do que ele estava a sentir, palavras ditas entre risos, comentários cruéis que me partiam o coração: “Aqui ninguém gosta de ti”, “Sai daqui”, “És estranho”… Estas palavras ainda ecoavam na minha cabeça depois de ele adormecer.

Certa manhã, decidi que já chegava. Acompanhei-o até ao autocarro, segurando-lhe a mão. Em frente ao condutor…

Enquanto descia os degraus do autocarro, congelei, ofegante. Fiquei chocada com o que vi…

Jeden Morgen fürchtete mein Sohn den Bus: Was er dort erlebte, erschütterte mich

O verdadeiro motivo do medo do meu filho em relação ao autocarro ficou claro nessa manhã. O motorista tinha mudado e, além de ser rigoroso, transformara o interior do autocarro num lugar assustador.

Tinha espalhado objetos estranhos e imagens perturbadoras por todo o lado, como bonecas com olhos pequenos, máscaras assustadoras e outros artigos de coleção misteriosos. Estes objetos não eram para decoração, mas sim para intimidar as crianças e obrigá-las a permanecer sentadas.

Todos os dias, ensaiava o que faria se elas fizessem barulho ou desobedecessem: “Se gritares ou te levantares, estes objetos vão apanhar-te…”

Jeden Morgen fürchtete mein Sohn den Bus: Was er dort erlebte, erschütterte mich

Estas ameaças, acompanhadas pelos reflexos escuros dos objetos, transformaram a viagem de autocarro num pesadelo para os mais pequenos. O meu filho sensível e engenhoso percebeu estes avisos como reais e sentiu-se constantemente ameaçado, incapaz de relaxar ou de desfrutar da viagem.

Era mais do que apenas disciplina: era um clima sistemático de medo. As crianças, paralisadas, cochichavam entre si, paralisadas pelo medo do que poderia acontecer.

Esta atmosfera ameaçadora explicava a sua recusa em embarcar no autocarro, o seu silêncio e o seu medo todas as manhãs. Não era apenas o medo dos colegas, mas o terror que um adulto, supostamente responsável por garantir a sua segurança, tinha infligido ao meu filho.

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