Elina tinha 27 anos. Desde os 12 que vivia sozinha numa casa velha nos arredores da aldeia. Órfã, cresceu entre lares de acolhimento, famílias temporárias de acolhimento e memórias dolorosas.
Trabalhava como empregada de mesa num pequeno café, vivendo com simplicidade, sem sonhos extravagantes nem ninguém com quem conversar à noite.
As pessoas da aldeia sussurravam:
“Pobre menina… Sempre sozinha.”
“Parece que ela está à espera de algo… ou de alguém.”
Mas Elina já não acreditava no amor.

Numa manhã chuvosa, um cliente invulgar entrou no café. Um fato feito à medida, um olhar gentil e maneiras delicadas. Chamava-se Julien, de 31 anos, o discreto herdeiro de uma família influente. Estava apenas de passagem, ou pelo menos era o que dizia…
Ele voltava todos os dias. Pedia a mesma coisa. Sentava-se à mesma mesa. E, aos poucos, meteu conversa com Elina.
Ela, cautelosa no início, acabou por sorrir. Riu. Corou.
Um dia, ela atreveu-se a perguntar-lhe:
“Porque é que vem sempre aqui?”
Ele respondeu simplesmente:
“Porque foi aqui que encontrei o que procurava”.
Algumas semanas depois, convidou-a para caminhar à chuva. De mãos dadas, caminharam pelos campos encharcados. Depois, debaixo de um velho carvalho, parou.
“Elina, eu sei que sofreste, que nunca tiveste um lar onde as pessoas estivessem à tua espera. Mas se quiseres, eu posso tornar-me esse lar. Esse ‘alguém’ que nunca tiveste. Queres casar comigo?”
Elina permaneceu paralisada. As lágrimas escorriam sem que ela as sentisse. Ela gaguejou:
“Porquê eu?”
“Porque tu és real. E isso é raro.”
Ela aceitou. Não porque fosse rico. Mas porque a tinha visto, de verdade.
Alguns meses depois, deixaram a pequena casa da aldeia, mas Elina ficou com ela. Para nunca se esquecer de onde veio.
Estava sozinha, destruída… mas um dia, o amor bateu-lhe à porta. E desta vez, ela deixou-o entrar.









