Ela disse-me: “Estarei sempre aqui para ti”… e foi onde nunca deveria ter entrado: a minha cama, a minha relação, a minha vida

HISTÓRIAS DA VIDA

Tudo começou subtilmente.

Camille vinha com frequência. Com muita frequência. Mas achava normal. Era solteira, um pouco perdida, e eu tinha todo o gosto em oferecer-lhe um pouco de aconchego familiar. O Tomás também gostava dela. Ele ria-se das piadas dela, ela servia-lhe um copo de vinho e, por vezes, conversavam até altas horas da noite enquanto eu deitava as crianças.

Eu não queria acreditar.

Mas uma noite, apercebi-me de um olhar. Não um olhar comum. Um olhar que nunca deveria ter existido entre eles. O meu coração começou a bater forte, a gritar, a berrar. Enterrei-o em negação.

“Estás a imaginar coisas, Lina”, disse a mim mesma.

Mas os sinais multiplicaram-se. Mensagens apagadas, desculpas esfarrapadas, silêncios entre eles cheios de significado.

Então, uma noite, desabei. Instalei uma câmara na sala de estar, como uma louca, como uma mulher ferida que quer saber. E o que vi destruiu-me.

Camille. Minha amiga. Nos MEUS lençóis. Com o MEU marido.

No dia seguinte, mantive-me em silêncio. Observei-os a fingir. Preparei o jantar, até me ri. Mas, por dentro, eu estava a sangrar.

Quando os confrontei, não negaram nada.

“Aconteceu… não era nossa intenção, simplesmente… aconteceu”, disse Thomas, olhando para baixo.

“Desculpa, Lina. Amo-te como uma irmã…”, sussurrou Camille.

Uma irmã.

Eu ri-me. Um riso amargo e vazio.
Então fiz as malas. Parti com os meus filhos. Cortei laços. Não porque já não amasse o Thomas. Não porque Camille já não importasse. Mas porque me amei muito pouco, durante muito tempo.

Dois anos se passaram. O Thomas implorou-me para voltar. A Camille desapareceu das nossas vidas.
Eu? Aprendi a reconstruir-me. A andar sem muletas humanas. A sorrir sem fazer batota.

E, às vezes, à noite, ainda penso nessa traição.
Não com raiva. Mas com tristeza. Porque não foi a traição que mais me magoou.
Foi ter amado cegamente. Duas pessoas… que apenas viam o seu próprio reflexo.

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