Numa pequena aldeia aninhada entre as colinas, vivia um cão chamado Rex. Era um pastor alemão com um olhar vivo e um coração enorme. O seu mestre, Julien, um jovem apaixonado por viagens, acolheu-o quando era muito jovem. Juntos, partilharam cinco anos de felicidade. Julien falava frequentemente em ir para longe, em descobrir o mundo, mas prometia sempre voltar.
Numa manhã de verão, Julien fez a mala.
— “Já volto, Rex. Toma conta da casa. »
O cão, como se entendesse, ladrou suavemente e seguiu-o até ao velho portão de ferro forjado. Aí viu o seu dono partir, com o rabo baixado, mas sem chorar. Ele sabia que precisava de estar vigilante.

E ele observou.
Os dias passaram. Depois os meses. Depois os anos.
O Rex sentava-se em frente ao portão todas as manhãs. Ele estava à espera. Chovesse, nevasse ou o sol brilhasse intensamente, ele permanecia ali, fiel. Todos os moradores o conheciam. Trouxeram-lhe comida e até construíram um pequeno abrigo perto da entrada. Mas nunca saiu do seu lugar. Para muitos, tornou-se uma lenda viva: “o cão do portão”.
Algumas noites, ouvíamos-no gemer baixinho, como se ainda sonhasse com os passos de Julien no cascalho, com as brincadeiras no jardim, com a voz que não ouvia há tanto tempo.
Passaram 15 anos.
Numa manhã de Outono, enquanto as folhas mortas dançavam à entrada da garagem, um carro parou em frente à casa. Um homem saiu. Cabelo grisalho, barba mais espessa, passos mais pesados… mas o visual continuava o mesmo.

Rex levantou a cabeça. Hesitou por um segundo. Depois latiu. Forte. Há muito tempo. Como se estivesse a despertar o passado.
Julien aproximou-se.
— “Rex?” É você? »
O velho cão saltou o melhor que pôde, com as pernas rígidas e os olhos cheios de lágrimas, e saltou para os braços do seu dono. Ficaram ali, abraçados, por longos minutos, com o mundo inteiro apagado.
Julien ajoelhou-se:
— “Esperou por mim… todo este tempo…”
E Rex, com um último suspiro feliz, deitou a cabeça no coração de Julien.







